O verdadeiro eu pode ser encontrado no sono
Heidegger no livro Marcas do Caminho traz um fato interessante, quando ele fala do ser-no-mundo, do ser-aí lançado no mundo também fala que o sono é o único momento que o mundo é exclusivamente meu. Por mais que haja intervenção do que se vive diariamente, é uma realidade consturída pelo ser e para o ser. Por isso, o consciente dá tanta importância ao sonho, é genuinamente pertencente a ele, como não dar atenção a algo que lhe é exclusivo. No sono se sonha, só que aquele sonhar é tão particular que, muitas vezes, o indivíduo quer trazer este sonho para o seu ser-no-mundo, para compartilhar essa individualidade com os outros no mundo real.
Para aqueles que acreditam no espiritismo, existe a teoria de quando o ser se encontra no seu sono, seu espírito está viajando e, portanto, o sonho são lembranças dos mundos ou dimensões que ele mesmo visitou. Portanto, dentro desta concepção pode-se pensar então que o sono, o sonhar não é algo exclusivo daquele que está sonhando. No entanto, a exclusividade permanece, apenas aquele que está sonhando sabe para onde quer ir, pode até cruzar com outros espíritos no decorrer do sonho, mas a sua trajetória do início até o despertar não tem como ser compartilhada a todo tempo com um outro.
A questão que permanece é: será que apenas no sono o ser pode voltar a pura essência de si mesmo?
“Aos despertos pertence um mundo comum, cada um dos que dormem, no entanto, volta-se para seu próprio mundo.” Heráclito